MESTRADO EM EDUCACAO
quinta-feira, 25 de julho de 2013
O Mestrado em Educação é tido como uma pós-graduação necessária aos diversos profissionais que atuam do ensino fundamental ao superior. O curso apresenta um caráter multidisciplinar e permite o entendimento de teorias educacionais, problematiza a relação teoria e prática e fundamenta o entendimento da educação no contexto mundial, em especial, o da educação brasileira em diferentes realidades tempos históricos.
SABERES E PRÁTICAS EDUCATIVAS AMBIENTAIS COMO
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
SABERES E PRÁTICAS EDUCATIVAS AMBIENTAIS COMO
PRINCÍPIOS BASILARES DA CONSTRUÇÃO DE TERRITÓRIOS DA
SUSTENTABILIDADE NO ASSENTAMENTO AGROEXTRATIVISTA
IGARAPÉ GRANDE
– ILHA JOÃO PILATOS/ANANINDEUA-PA
Francisco Perpetuo Santos Diniz
1
franciscoprofessorgeo@hotmail.com
Ana Cristina Lima da Costa
2
annacrisscosta@yahoo.com.br
Raimundo Erundino Santos Diniz
3
erondinho@hotmail.com
Maria das Graças Silva
4
magrass@gmail.com
Resumo
Este trabalho estimula o debate sobre a importância do reconhecimento dos saberes e
práticas educativas ribeirinhas amazônicas como estruturadoras da sustentabilidade
socioambiental realizadas em áreas de assentamentos oficiais do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (INCRA) na Amazônia. A pesquisa objetivou
identificar e analisar as formas de sustentabilidade desenvolvidas pelos ribeirinhos de
Igarapé Grande na localidade Paraíso, localizada na Comunidade Igarapé Grande, Ilha
João Pilatos em Ananindeua-Pa. Os resultados demonstraram que o INCRA
desconsiderou os saberes e processos educativos locais; a produtividade pensada
oficialmente é irrisória e predominam formas tradicionais de uso dos recursos naturais,
tais como a extração do açaí nos mangues, frutas, pesca e produção do carvão que não
estavam previstos no Projeto Oficial e que atualmente garantem o sustento das
famílias.
Palavras-chave
: Saberes e Práticas Educativas Ambientais. Territórios.
Sustentabilidade. Assentamento Agroextrativista
.
1
Especialista em Geografia da Amazônia (Faculdade Integrada Brasil Aazônia FIBRA). Mestrando em
Educação (Universidade do Estado do Pará). Bolsista CAPES/Mestrado. Professor da Secretaria Estadual
de Educação (SEDUC-PA) e da Secretaria Municipal de Educação de Ananindeua (SEMED).
2
Especialista em Fisioterapia Pneumofuncional e Fisioterapia nas Disfunções Traumato-Ortopédicas.
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade do Estado do Pará - UEPA.
Docente da Universidade do Estado do Pará.
3
Mestre em Planejamento do Desenvolvimento em Trópico Úmido pelo Núcleo de Altos Estudos
Amazônicos da Universidade Federal do Pará - UFPA). Professor da Secretaria Estadual de Educação
(SEDUC-PA) e da Secretaria Municipal de Educação de Ananindeua (SEMED). Professor das Faculdades
Integradas Brasil Amazônia (FIBRA).
4
Profª. Drª. Maria das Graças da Silva – Líder. Dra. Planejamento Urbano e Regional (2002/UFRJ) Pós-
Doutoramento em Sociologia Ambiental (2007/08 UL-PT). Professora Adjunta do Programa de Pós-
Graduação em Educação(PPGED) da Universidade do Estado do Pará (UEPA).
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
KNOWLEDGES AND ENVIRONMENTAL EDUCATIVE PRACTICES
AS BASIC PRINCIPLES OF BUILDING OF SUSTAINABLE TERRITORIES
IN THE AGROEXTRACTIVIST SETTLEMENT
IGARAPÉ GRANDE
– ILHA JOÃO PILATOS/ANANINDEUA-PA
ABSTRACT
This work stimulates the debate about the importance of recognition of the knowledge
and Amazonian riverside educative practices as structuring of socioenvironmental
sustainability made in settlement official areas of the National Institute of Colonization
and Agrarian Reform (INCRA) in the Amazon. The researsh aimed to identify and
examine ways of sustainability developed by the riverines from Igarapé Grande,sland
João Pilatos located in Anandindeua-Pa.
The results showed that INCRA dismissed the local knowledge and educational
processes; the officially thought productivity is negligible and predominate the
tradicional use of natural resources, such as the extraction of acaí in the mangroves,
fruits, fish, and coal production that were not foreseen in the official project that
currently ensure the livelihood of families.
Keywords
: Amazonia; Knowledge and Environmental Educative Practices. Territorie;.
Sustainability; Agroextractivist settlement
.
INTRODUÇÃO
A ocupação da Amazônia sempre foi pensada a partir de um
racionalismo bruto voltado a atender as necessidades comerciais do modo de
produção capitalista dos países europeus (século XVI ao XIX) e que
posteriormente, também receberam influência norte-americana e japonesa. As
políticas sociais e econômicas direcionadas à região amazônica e originadas dos
órgãos governamentais brasileiros que buscavam o desenvolvimento regional,
especialmente a partir dos anos 60 do século XX, foram marcadas por um
tecnicismo exacerbante. Nos anos 90, as tendências mundiais advindas do
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
Fundo Monetário Internacional e das Organizações das Nações Unidas
estabeleceram um conjunto de estratégias e modelos de desenvolvimento
econômico fundados a partir da definição do desenvolvimento sustentável,
que pretendia expressar a tríade do desenvolvimentos socioeconômico e
ambiental.
O desenvolvimento sustentável serviu como um álibi no sentido de
amenizar as consequências sociais e ambientais na Amazônia decorrentes das
ações dos Grandes Projetos Geoeconômicos. A partir de então, o planejamento
territorial amazônico passou a ser gerido por estratégias de sustentabilidade
que, em grande parte, tornaram-se ineficazes, na medida em que, há o
predomínio de um contexto regional de desordem social e ambiental e é forte a
desconsideração da realidade socioeconômica, cultural e ambiental local nos
planejamentos oficiais.
Partindo desta problemática podemos inferir que o desenvolvimento
regional em pequena e média escalas, ou seja, voltado ao desenvolvimento de
comunidades corriqueiramente denominadas de tradicionais (índios, coletores,
extratores, ribeirinhos...) deveria estar pautado na consideração dos saberes e
práticas educativas inerentes aos cotidianos destas populações.
A tríade economia, sociedade e meio ambiente do desenvolvimento
sustentável só será eficaz nestes contextos se levar e consideração a variável
educação. Não pode haver hierarquia entre os elementos que orientam o
desenvolvimento. Nas comunidades das florestas, das terras e das águas ou
povos amazônidas, a educação cotidiana não deve estar unicamente voltada à
produção econômica, mas servir como um instrumento de valorização da
qualidade de vida, sociabilidade, produção de cultura e sustento local.
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
Portanto, esta pesquisa é tida como uma continuidade das análises que
envolvem os PAE’s (Programa de A
ssentamentos Agroextrativistas)
desenvolvidos pelo Incra nas ilhas de Ananindeua-Pará e busca contribuir com
as discussões que envolvem o planejamento territorial e ambiental amazônico.
Este trabalho teve a duração de dois anos e dois meses, com início em
fevereiro de 2010 e término em abril de 2012. Foram feitas várias atividades de
campo (entrevistas, relatórios, reuniões com os assentados) que iniciaram no
segundo semestre de 2010 seguidos de observações de práticas sociais, tais
como, a extração, produção e comercialização de gêneros naturais e agrícolas,
além da realização da agricultura, pesca e coleta do açaí.
A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida ao longo de toda pesquisa em
função da necessidade de constante revisão de conceitos e aprofundamento
teórico sob o assunto em investigação. Houve a confecção de questionários
investigativos que foram aplicados junto aos assentados, num total de 07
famílias, das 25 assentadas na localidade Paraíso, localizada na Comunidade
Igarapé Grande, Ilha João Pilatos em Ananindeua-Pará.
O Projeto de Assentamento
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, no
ano de 1995, implantou um conjunto de Projetos de Assentamento
Agroextrativistas (PAE’s)
nas ilhas de Ananindeua. Quatro ilhas receberam o
assentamento: Viçosa, Sassunema, Santa Rosa e João Pilatos. O projeto previa
nestas ilhas o assentamento de 270 famílias com custos de R$ 7,12 milhões ao
longo de dois anos.
A ilha João Pilatos, possui três comunidades: Nova Esperança, João
Pilatos e Igarapé Grande. Esta última foi foco do presente estudo. A primeira
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
etapa do Projeto do INCRA pretendeu fortalecer a infraestrutura das ilhas e no
segundo ano o Programa Nacional de Agricultura Familiar (PRONAF)
procurou fomentar a produção familiar com créditos subsidiados a juros de
1,15% ao ano. Dessa forma o Incra (2005) definiu que:
“
pelo acordo, cabe ao Incra viabilizar obras de infraestrutura básica e a
assistência técnica social e ambiental, bem como a demarcação
topográfica dos assentamentos e outras ações necessárias para a
inclusão social e econômica das famílias assentadas. À prefeitura de
Ananindeua cabe indicar um profissional da área agrícola para
acompanhar o projeto; disponibilizar a infraestrutura municipal para a
realização de eventos técnicos e cursos de capacitação dos trabalhadores
rurais e instalar boxes comunitários nas principais feiras e mercados do
município para as famílias comercializarem a produção, incluindo a
informação de mercado agrícola, entre outras ações
”. (INCRA, 2005).
As residências construídas foram padronizadas em 6m x 7m
independente da extensão do terreno. A construção de moradias apesar de
padronizadas atendeu as necessidades de habitação dos ilhéus por promover
maior higiene, com respectiva facilitação de limpeza. Contudo, como não
abrangeu todos os moradores causou constrangimento para os que não
foram contemplados no Projeto.
A pesquisa é tida como a continuidade das análises que envolvem os
PAE’s em Ananindeua. Em pesquisa anter
ior realizada por Perpétuo (2011)
na Comunidade Nova Esperança foi verificado que,
“
os moradores relatavam a existência de diversos problemas de
ordem socioeconômica presentes na ilha, sendo os mesmos
hierarquicamente identificados: transporte (feito por pequenas
embarcações e precárias); saúde: inexistência de postos de
saúde que forçavam os assentados a procurarem atendimento
nos postos de saúde dos bairros de Ananindeua; ausência de
energia elétrica que os impediam de conservar alimentos;
escolas: a única escola que atendia os ribeirinhos das ilhas de
Ananindeua localiza-se a mais de uma hora de distância de
barco da comunidade Nova Esperança; água potável,
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
saneamento básico e um mercado para compra de alimentos e
outros produtos
”. (PERPETUO, 2011, p. 09 – ANAIS SINGA,
2011).
A pesquisa primou pelo trabalho com dados qualitativos, tendo a ver
com a consideração de informações que foram tidas como relevantes, dadas
pelos sujeitos da pesquisa sem a devida preocupação com a quantidade de
informações coletadas e sem a ênfase a para abranger o maior número possível
dos sujeitos pesquisados. O que interessou foi a qualidade das informações.
Outro fator que interferiu na escolha da pesquisa qualitativa foi a necessidade
de habitar os locais onde os sujeitos moravam, onde desenvolviam suas práticas
educativas e criavam símbolos e subjetividades que orientavam a vida no
contexto social.
As populações tradicionais amazônicas concebem a natureza como a
extensão de suas vidas. As práticas culturais que desenvolvem são construídas
pelas interações desenvolvidas com a natureza e é a partir das mesmas que são
criados, recriados e socializados uma série de saberes ambientais e que são
socializados entre os ilhéus, numa espécie de pedagogia do ambiente ou
pedagogia da educação socioambiental.
Vale ressaltar que não estava previsto no Projeto do INCRA a
valorização das práticas educativas locais desenvolvidas pelos ilhéus nos
afazeres diários, muito menos a realização de atividades que valorizassem os
saberes ambientais que os mesmos construíam em seus cotidianos. A ênfase do
Projeto governamental foi dada ao tecnicismo, prática similar às tendências
mundiais de desenvolvimento criadas nas conferências mundiais do meio
ambiente.
Saberes e Práticas Educativas Ambientais Locais:
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
A concepção de educação apresentada neste trabalho se fundamenta
nas teorias educacionais desenvolvidas por Brandão (2002) e Freire (1993) onde
a educação é apenas mais um elemento da cultura sendo que a mesma é capaz
de transformar a realidade. Dessa forma, as populações tradicionais constroem
processos educativos singulares que se constituem numa tessitura de práticas
culturais que formam a identidade individual e coletiva dos agrupamentos
humanos. Segundo Brandão (2002),
“
Ali, onde os fios da Vida transformados em memórias, em palavras, em
gestos de sentimentos recobertos do desejo da mensagem, recriam a
cada instante o mundo que entre nós inventamos desde que somos seres
humanos, e com este estranho nome: cultura. Cultura, uma palavra
universal, mas um conceito científico nem sempre aceito por todos os
que tentam decifrar o que os seus processos e conteúdos querem
significar, e que misteriosamente existe tanto fora de nós, em qualquer
dia de nosso cotidiano, quando dentro de nós, seres obrigados a
aprender, desde crianças e pela vida afora, a compreender as suas várias
gramáticas e a “falar” as suas várias linguagens”
. (BRANDÃO, 2002, pp.
16-17)
Para Brandão (2002) somos a extensão da natureza e imprimimos
nossas marcas através de nossas ações e concepções de mundo, pois,
“
não somos intrusos no Mundo ou uma fração da Natureza rebelde a
ela. Somos a própria múltipla e infinita experiência do mundo natural
realizada como uma forma especial de Vida: a vida humana. Da mesma
maneira como boa parte dos animais, somos corpos dotados da
capacidade de reagirem ao ambiente em que vivem e onde reproduzem,
enquanto isto é possível, a vida individual e coletiva de sua espécie
”.
(BRANDÃO, 2002, p. 17)
Neste sentido, a educação constitui um processo de partilha de
conhecimentos regidos pela comunicação viabilizando as relações dos homens
com o mundo. Não há educação sem diálogo. O diálogo caminha para a
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
igualdade, sem hierarquização de saberes e conhecimentos objetivando tornar
os homens iguais. Assim,
“[...] a práxis, porém, é a ação e reflexão dos homens
sobre o mundo para transformá-
lo” (FREIRE, 1983, p. 40). Para Freire toda ação
no mundo deve ser pensada. A prática deve ser refletida, pois dá sentido ao
mundo.
A educação para Paulo Freire (1983) deve ser pensada a partir do
contexto sócio-histórico, natural e cultural dos sujeitos. A educação não se
limita a prática e reflexão pedagógica da escola normal, mas vai ao contexto de
quaisquer sujeitos onde ocorre a opressão. Educar é dar sentido à própria
vivência, compreender o funcionamento da sociedade, dar sentido ao ato de
educar, ter relevância e dar sentido ao mundo. Assim, a educação tem como
princípio fundamental a libertação, realiza-se como prática do exercício da
liberdade, da quebra das correntes que aprisionam, do rompimento das formas
de dominação. Educar, nesta concepção, é considerar a diversidade de saberes,
de aprender a ler o mundo de forma crítica e compreender que os seres
humanos são sujeitos inacabados e que estão num processo contínuo de
transformação.
Os processos educativos construídos pelos ribeirinhos nos espaços onde
vivem podem ser reconhecidos como possibilidades de libertação frente à
ausência do Estado nas áreas sociais (saúde, educação, previdência) localizadas
mais “distantes” do centro da capital
(Belém). Nessas “áreas longínquas” os
agentes capitalistas aproveitam a fragilidade do estado para impor modelos
predatórios de exploração dos recursos naturais. Desta forma, os saberes
ambientais que os nativos criam e recriam podem promover a autonomia e luta
política para a libertação de acordo com os moldes de educação pensada por
Paulo Freire (1993).
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
Conhecedores de uma série de saberes ambientais que envolvem o
reconhecimento das transformações da natureza, os ciclos da lua, as épocas
chuvosas, os espaços para o cultivo, as formas de acasalamento dos animais, a
identificação das plantas através da observação, cheiro e tato e de um conjunto
de biodiversidade, os ribeirinhos tem na natureza um fundamento para a
construção de suas vidas, cultura e do sustento sustentável, bem diferente dos
modelos padronizados de desenvolvimentos oficiais.
Os saberes sob o meio são socializados ao longo das gerações. Os mais
novos desde cedo aprendem com os mais velhos o cuidado com a natureza e a
realização de meios para a produção de práticas de sustento local. A
transmissão de saberes ocorre pela realização de práticas agrícolas, extrativismo
animal e vegetal, formas de interação social e especialmente, por relatos orais
feitos no interior das famílias e entre vizinhos.
O conceito de saber ambiental definido por Leff (2009) se aproxima dos
saberes e práticas educativas ribeirinhas amazônicas, pois considera que o
mesmo é originário da sociedade, que produz saber complexo, que envolve
academia, sociedade, populações tradicionais e, mais, o saber ambiental
resultaria da integração das ciências, da valorização da ética, do saber prático,
da construção de alternativas frente à incoerência e inconsistência do
desenvolvimento do sistema capitalista dominante, na revalorização do saber
sócio-cultural e ambiental das populações tradicionais então marginalizados
pela racionalidade produtiva hegemônica, do repensar das práticas
pedagógicas e na promoção de formas inovadoras da gestão ambiental.
Valorizar saberes e processos educativos singulares de populações que se
encontram distantes do centro urbano, que vivem desenvolvendo relações com
a natureza baseadas na necessidade de usar e preservar os recursos naturais,
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
que sofrem as pressões da mídia global que tenta impor a sociedade de
consumo é ratificar a própria noção de sustento local ambiental ribeirinho que
contraria os valores de consumo da sociedade hegemônica capitalista
desenvolvimentista e não sustentável.
È fato que o desenvolvimento sustentável busca
“reformar” a expansão
da globalização. Os diversos ramos da economia e produção recorrem aos
saberes das populações tradicionais e definem novas facetas do
desenvolvimento, aparentemente sustentáveis, mais que possuem na economia
o carro chefe de suas ações.
Entre as principais teorias do desenvolvimento considerável sustentável
estão aquelas que enfatizam que o mesmo nasceu sem uma teoria que o
embasasse; é a-histórico; não possui método claro; define que o Estado é o
principal responsável em executá-lo reeducando a sociedade; é genérico e
contraditório, pois propõe um modelo de sociedade inatingível pautado na
harmonia da produção capitalista, respeito ao meio ambiente e suavização dos
problemas sociais; não considera as formas de produção pré e não capitalistas.
O modelo de desenvolvimento sustentável tem por fundamento às
teorias de prolongamento do tempo de existência da natureza de acordo com as
concepções advindas das ciências biológicas. Neste sentido, o objetivo maior do
desenvolvimento sustentável seria estender o máximo o uso dos recursos
naturais, desconsiderando, dessa forma, os conflitos sociais e contradições
inerentes às relações homens-natureza do modo de produção capitalista.
Fernandes (2006) considera que:
“
O modelo de desenvolvimento sustentável não é um outro estilo de
desenvolvimento, mas um mecanismo proposto e adotado pelo centro
de poder do referido sistema, para conduzir e legitimar as políticas
ambientais globais com seu ritmo e lógica
”. (FERNANDES, 2006, p.143)
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
A sustentabilidade, as práticas educativas edificantes da educação
ambiental, o uso de recursos naturais constituem-se em grandes dilemas para as
populações amazônicas pelo fato do capitalismo tentar estabelecer formas de
sociabilidade e sustentabilidade baseadas no desenvolvimento sustentável
desterritorializando formas singulares de desenvolvimento local e organização
social.
Neste sentido educar, para os ribeirinhos de Ananindeua, significa
compartilhar experiências sobre o meio em que vivem. Foi observado que um
dos primeiros processos educativos que ocorrem na comunidade Igarapé
Grande tem relação com a prática da observância do clima Amazônico que
apresenta verão quente e chuvoso e, inverno úmido de grande insolação e
“mormaços”. Conhecer os pormenores das mudanças climáticas, os indícios dos
anúncios e implicações das chuvas requer a socialização e construção coletiva
de saberes sobre a natureza.
Hábeis observadores dos ciclos chuvosos, os ilhéus construíram ao longo
dos tempos práticas sociais flexíveis que se adaptam as modificações do tempo,
da temperatura, das águas, da mata e da natureza. Conhecer a natureza implica
conhecer cainhos, realizar percursos nos rios e matas, compreender e apreender
a natureza.
Outra prática social desenvolvida pelos ribeirinhos amazônicos e que
conotam processos de educação e sustento ambientais integrados ao meio físico
tem a ver com a realização de caminhadas nos locais onde vivem e interagem
socialmente. Aliás, a história das grandes caminhadas realizadas pelas
populações amazônicas desde a pré-história aos dias atuais foi ignorada.
Oficialmente, a literatura que versa sobre a história regional da Amazônia
limita-se aos deslocamentos feitos pelos indígenas no período da colonização,
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
passa pela importância do regatão na época da borracha e finaliza com a
abertura das grandes rodovias no Projeto de Integração nacional (década de 60).
Os percursos traçados no interior das matas tornaram-se oficialmente
invisíveis. São desconsiderados os percursos e sentidos de rotas percorridas
pelas populações que habitam a região. Nos dias atuais u
ma “outra Amazônia”
é esquecida, a das populações que se deslocam por grandes extensões
territoriais em terras de chão batido, por trilhas “escondidas” no interior das
matas, em rotas cujos trajetos dão sentidos as criação e recriação de parte da
cultura e vida amazônicas.
Os territórios da educação e saberes ambientais cotidianos dos povos
amazônidas são menosprezados. Não é a toa que a própria discussão de
território nas Ciências Sociais, especialmente na Geografia, está marcada por
uma carga de valores urbanos. Autores como: Milton Santos (1997), Marcelo
Lopes de Souza (2011), David Sack (2003), Claude Raffestin (1993), Haesbaert
(2011) e Deleuze e Guattari (1995-97) discutem o território a partir de temas que
envolvem o poder formado hegemonicamente pela territorialidade do estado,
mesmo relativizando o conceito de poder, sempre as referências entre poderterritório
fazem alusão ao poder estatal; a ação dos agentes hegemônicos da
globalização; as territorialidades de grupos excluídos foram exemplificadas a
partir de contextos urbanos; as territorialidades dos atores que constituíam
redes tinham como fundamento os avanços científicos e tecnológicos do sistema
capitalista. Ou seja, a literatura diversa de autores renomados e referenciados
na discussão do território afunila para um debate urbano-estatal-capitalista.
Para Haesbaert (2011) as metrópoles seriam o
lócus privilegiado para as
“multiterritorialidades rizomáticas” pelo fato de comportarem múltiplos
territórios que favorecem a acessibilidade com fluidez do espaço. Considera,
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
ainda, que a situação sócio-econômica dos indivíduos e coletividades mantém
relações estreitas com os deslocamentos, pois quanto maior o poder aquisitivo
maior será a movimentação no interior do espaço urbano. Há exemplo dos
executivos que se deslocam em helicópteros, em supertrens, ou carros
otimizando o tempo nos deslocamentos. Restaria à maior parte da população a
dificuldade em vivenciar o “primeiro território”, o do cotidiano.
Lopes (2011)
afirma que as grandes metrópoles, do
“Primeiro” como do “Terceiro Mundo”,
com toda a sua complexidade, parecem conter os exemplos mais interessantes e
variados de tais territorialidades.
Os autores citados veem as cidades como espaços complexos para a
formação de redes de territórios diversos ignorando a existência de complexas
redes territoriais que não tenham origem em formações tecnológicas e que são
desenvolvidas em áreas rurais Nos espaços rurais, das ilhas e de matas existem
redes, tecnológicas ou não, que variam em escalas e valores.
As poucas referências dadas às territorialidades do meio rural também
estão impregnadas pelas discussões que envolvem os avanços técnicocientíficos
e estatais. Há uma preocupação dos autores citados em discutir redes
a partir da vertente tecnológica. Há sempre o cuidado de atualizar e
“modernizar” o discurso de formação de redes a partir de referências de
inovações tecnológicas. Há a predominância de um discurso de uma geografia
mundial e globalizada fundada em redes tecnológicas que ignora as redes
subalternas e locais, especialmente aquelas advindas de populações tradicionais
amazônicas.
Contudo é relevante a análise que Marcelo Lopes de Souza (2011) faz,
ao criticar a pobreza teórica do conceito de desenvolvimento sustentável,
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
“
para começar, é altamente significativo _ e lamentável _ que uma noção
tão fundamental quanto à de desenvolvimento tenha sido reduzida, ao
ser transformada em
conceito científico pelas diversas disciplinas
marcadas pela epistemologia Positivista, esquartejadora da sociedade
em partes pretensamente anônimas (economia, política, cultura, espaço,
história), em uma idéia tão distante das necessidades mais elementares e
do quotidiano dos homens e mulheres comuns
”. (SOUZA, 2011, p.101)
Marcelo Lopes de Souza (2011) critica a adoção do conceito de
desenvolvimento hegemônico.
“
Do mesmo modo como a idéia de território tem permanecido, no
discurso científico, salvo algumas exceções, prisioneira de um certo
“estado centrismo”, de uma fixação empobrecedora e direta ou
indiretamente legitimatória da figura do estado, tem igualmente a idéia
de desenvolvimento sido condenadas pelas mais diferentes escolas de
pensamento e disciplinas(especialmente a economia e a sociologia do
desenvolvimento) a endossar o modelo civilizatório ocidental,
capitalístico, enquanto paradigma universal
”. (LOPES, 2011, p.100)
Fernandes (2006) argumenta que determinadas categorias são
formuladas para dar sentido às estruturas de poder de grupos políticos e
econômicos que regem a criação e implantação das políticas ambientais
globais:
“
Poderíamos, realmente, esperar que as instituições que dão forma ao
movimento ecológico internacional, como a ONU, o Banco Mundial, o
G7, apresentassem uma nova proposta de organização social destinada a
promover efetivamente a equidade social, a eficiência econômica e a
preservação ambiental? Isso seria possível sem questionar, na sua base,
o ordenamento sociopolítico e econômico? Para dar respostas
afirmativas a essas questões, teríamos que imaginar que estas
instituições estariam abandonando seus próprios papéis de
mantenedoras da ordem econômica vigente
”. (FERNANDES, 2006. p.
131)
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
De acordo com o princípio acima, o modelo de desenvolvimento
sustentável teria por objetivo maior a produção capitalista. Para Fernandes
(2006):
“
Ao nosso ver o que se anuncia como um modelo de desenvolvimento,
que sucederia as alternativas ocidentais praticadas há cerca de 200 anos,
se constitui, na verdade, numa proposta de gestão, monitoramento e
controle internacional dos recursos naturais
– elaborada e implementada
a partir dos países do Norte
”. (FERNANDES, 2006, p.136)
O discurso do desenvolvimento sustentável revaloriza as relações
preservacionistas que os grupos tradicionais (índios, extratores, coletores,
ribeirinhos, entre outros) mantêm com a natureza relegando para segundo
plano outros contingentes de populações residentes no meio rural e as que
vivem marginalizadas nas áreas urbanas.
Contrariando as noções de desenvolvimento sustentável, as populações
tradicionais desenvolveram ao longo das gerações formas de sustentabilidade
que não estão limitadas as relações homem-natureza. O meio ambiente para as
comunidades tradicionais foge de conceitos rígidos padronizados pelo variados
ramos das ciências:
[...]
“os modos de vida e as distintas práticas de trabalho desenvolvidas
por essas comunidades, evidenciam que as formas de convivência e de
apropriação dos recursos naturais, ou seja, as relações que estabelecem
com o meio ambiente físico-biológico são resultados de saberes
tradicionais e processos histórico-culturais, e incorporam múltiplas
formas, objetivos e representações
”. (SILVA, 2008, p.56)
Maria das Graças Silva (2008), no livro
Redes de Saberes e Afetos, realizou
uma pesquisa com as mulheres participantes do Projeto de Extensão
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
“Quartas Saudáveis” desenvolv
ida por professores do Programa de Pós-
Graduação Mestrado em Educação da Universidade do Estado do Pará na
ilha de Caratateua
– Pará que objetivou saber como elas percebiam e
representavam o meio ambiente em suas casas. Essa pesquisa constatou que,
“
a casa, o quintal são espaços onde o saber das mulheres sobre seus
ambientes configura a sua objetivação prática, e os problemas que
extrapolam o espaço familiar, mas que comportam temáticas ambientais,
ao serem identificados pelo grupo que participa das “quarta
s
saudáveis”, indica a existência de diferentes representações, percepções
e práticas no campo ambiental. (SILVA, 2008, p. 109)
Esse viés da sustentabilidade é inerente às práticas sociais e educativas
das populações amazônicas e não se enquadram em fórmulas ou construções
ideológicas criadas pelos atores hegemônicos da sociedade capitalista.
Assim como o conceito de desenvolvimento sustentável leva a
interpretação da relação sociedade e natureza em sentido diverso, o uso do
termo subsistência, quando relacionado ao consumo de alimentos, também
acaba por se tornar polissêmico, pois dá a ideia de consumo familiar que não
está voltado para o mercado e que é essencial à vida. “Sub
-existir” pode
significar estar abaixo de alguma referência de existência, de estar inferiorizado
em relação às formas de consumo do modo de produção capitalista fato que
reforça os referenciais aos padrões ocidentais urbanos.
Diversidade dos Saberes Ambientais e das Práticas Educativas
O espaço econômico, social, político, territorial, cultural, natural
amazônico não é homogêneo. Em nossa região existem “Amazônias”. A
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
diversidade ocorre mesmo em pequenas comunidades ribeirinhas, a exemplo
da comunidade Igarapé Grande. Foi um grande equívoco por parte do INCRA
a classificação dos sujeitos assentados em duas categorias: de agricultores e de
extrativistas. Existem ilhéus que sobrevivem da pesca, outros da agricultura e
extrativismo. Alguns vivem do artesanato, comércio e produção de carvão. A
tentativa de padronização de atividades econômicas estabelecida pelo INCRA
desconsiderou esses múltiplos fazeres e uso de recursos, pois o Projeto de
Assentamento somente enfatizou a agricultura e extrativismo originário da
mata.
A multiplicidade produtiva em Igarapé Grande é marcada pela
realização difusa de atividades que envolvem a mata, a terra e as águas . Todas
as famílias usam a mata para a extração de frutos, especialmente do açaí, além
da retirada de óleos, raízes e sementes para a fabricação de remédios caseiros e
alimentação em geral. Contudo, apenas três das sete famílias entrevistadas
usam a madeira para fabricação em uso comercial. As diferenças no uso da
mata acentuam-se quando acontece a coleta de frutas para a conservação de
polpas, especialmente as de cupuaçu e bacuri. Apenas duas famílias dedicam-se
a esse processo. Uma família vive da caça de animais e retirada de sementes
para produção de pão numa espécie de “padaria local”.
Há alternância nos períodos da extração do açaí, da produção do carvão e
do desenvolvimento da agricultura. Estas atividades são realizadas com
bastante frequência no segundo semestre devido à redução das chuvas. No
primeiro semestre diminui-se a extração do açaí e produção do carvão em
decorrência das constantes cheias dos mangues. O pouco manejo agrícola que
existe é quase que suspenso. Neste período de intensas chuvas é comum o
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
recolhimento de frutas para consumo, como consta no relato a seguir de um
ilhéus:
“
O inverno modifica tudo né! O açaí no verão? O que é que a gente tem? O
açaí. Já vem outra marca do camarão. Já vem outra marca de peixe. E no
inverno, quando chega o inverno já muda. Já o açaí não tem mais. Às vezes as
frutas já acabaram. Já vêm outras safras de frutas. Só de setembro em diante que
começa a safra do açaí. Aí o peixe já muda também. Tem o peixe do inverno e
tem o peixe do verão. Ainda tem tudo isso
”. (ADF- Igarapé Grande,
02/02/2012)
“
Na época do açaí que chove, o açaí cai todinho do cacho. Cai do cacho, porque
eu não sei o que tem que cai, ele seca rápido e cai. Prejudica porque tem muita
pessoa que perde o açaí. A coleta do açaí tem que ser antes da chuva, na época do
verão. Em novembro é muito bom pra trabalhar com o açaí porque não chove
muito. O segundo semestre é bom pro açaí. No primeiro trabalhamos com o
peixe e frutas
”. (PARACO, entrevista cedida em: 23 de fevereiro de 2012)
A ocorrência das chuvas representa o aumento das atividades de pesca
rudimentar feita com o uso de linhas e
anzóis intitulados de “espinheis” e redes
artesanais denominadas “malhadeiras”. O período chuvoso para
D Maria Luíza
representa a chegada da fartura, como ela mesma diz, “a
chuva traz camarão,
peixe. Quando não chove tanto dá peixe, mas diminui mais. Aqui na terra a gente não
precisa molhar nada, a chuva já se encarrega de molhar”.
Prevendo a chegada das chuvas os moradores se apressam em deixar os
terrenos, chagões e quintais limpos para evitar a presença de animais
peçonhentos, tais como, cobras, escorpiões e aranhas que fogem das
precipitações e vão à busca de lugares secos nos arredores das residências o que
requer precaução entre os moradores. È uma espécie de defesa contra os
perigos emanados da natureza.
As cheias do rio Maguari, principal rio que atravessa o município de
Ananindeua, proporciona satisfação nos momentos de lazer, banho e uso das
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
águas nos poços escavados nos quintais em decorrência da elevação do nível da
água:
“
O rio é importante pra comunidade. Se nós quer conseguir alguma coisa nós
pega aqui. O rio é muito importante pra nós. Nós pega o barco vai no
Curuçambá, aí vamos no rio e joga a malhadeira e pega o peixe, nós
praticamente tira nosso sustento daqui, se nós que o peixe vamos lá pega o
peixe, nosso camarão, é importante mesmo [...] .Antigamente ninguém cuava a
água nera pai, hoje em dia chega uma pessoa aqui e condena nossa água, mas
nunca fez mal para nós. Olha mestre esse rio e igarapé é importante para nós
porque muita gente que mora na cidade eles pra irem tomar um banho no
igarapé tem que se localizar num lugar longe, porque não tem mesmo, não tem
um igarapé pra ele tomar banho, não tem uma praia, tá certo que nós não temos
uma praia, mas o igarapé pra mim é importante. A gente quer tomar um banho
no igarapé, só é correr daqui, muda o short e pêia no igarapé, é muito fácil pra
nós. A gente quer jogar uma bola e depois toma no igarapé. É muito importante
esse igarapé pra nós
”. (RDF-Igarapé Grande, entrevista cedida em
02/20/2012).
Sabedores da importância que envolvem o uso dos rios e igarapés os
nativos desenvolvem certos cuidados em relação a determinadas práticas
sociais que envolvem contatos com as águas. Eles realizam a queima em seus
quintais de sacos plásticos, caixas, embalagens diversas, restos de madeiras
inutilizadas e de tudo o que se configurar em lixo e que se depositado de forma
incorreta nos terrenos terá como destino final, pela ação dos ventos e das
chuvas, o depósito nos igarapés e córregos. Em Igarapé Grande não há espaços
públicos para acúmulo de lixo. Há a limpeza diária de terrenos particulares e
usados coletivamente.
O cuidado com a conservação das águas ocorre dentre e fora do rio,
conforme relato de D. Luíza que quando realiza seus deslocamentos nas canoas
e rabetas
5 costuma recolher lixo depositado no rio:
5
Pequena embarcação movida a motor comum da região amazônica.
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
“
Quando eu posso e que eu desço por aí e vejo muito saco de lixo, quando eu
posso eu coloco alguns pra dentro da canoa e quando eu desço do rio eu queimo.
Sempre eu faço isso. E até Graças a Deus está diminuindo
”. (Maria Luíza –
Igarapé Grande, entrevista cedida em 02/02/2012)
Para os moradores, a mata é tida como o espaço dos mistérios e magias,
das lendas e da preservação da natureza. A mata é visualmente perceptível,
mas nem tudo se vê, pois é um ambiente ideal para ser observado por seres
animados e inanimados, um mistério reconhecido por todos. Ninguém desafia
as incertezas da mata. A mata pune, enfeitiça, assombra. Contudo, na
mentalidade dos moradores, a mata não se limita a desconfiança, possibilita o
prazer, dá carinho, acalenta, conforta feito prosopopéia.
O uso da natureza para os entrevistados da comunidade Igarapé
Grande é caracterizado pelo desenvolvimento de um processo de
aprendizagem continuado ao longo das gerações. As práticas cotidianas de
manuseio da terra, o plantio de sementes, a coleta de frutos, a escolha de
vegetais, raízes e lascas de árvores representam um conjunto de procedimentos
e saberes aprendidos socializados.
Na comunidade Igarapé Grande é marcante a prática de uso de
recursos naturais e tem a ver com o desenvolvimento do sustento familiar. A
sustentabilidade familiar ora se apresenta como não capitalista quando volta-se
à alimentação diária, mas em determinadas circunstâncias, quando há a
comercialização de produtos, configura-se como pré-capitalistas, pois tem a
ver com o comércio de produtos que envolvem a comercialização dos
excedentes. Portanto, faltou ao INCRA considerar as práticas de sustento locais
e evitar projetos econômicos pré-estabelecidos descontextualizados do
cotidiano dos ilhéus.
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
Os ilhéus não falam de racionalidade, nem de educação ambiental em
moldes escolares formais ou difundidos pelo INCRA. Narram acontecimentos
que tem a ver com o cotidiano, com a alimentação, com o cuidado com os
animais e plantas, com o bem estar e a com a história de seus antepassados. É
consenso entre todos que a natureza deve ser protegida e usada para a
continuidade de suas vidas, suas estórias e cultura. Segundo o ilhéu RDF é
comum entre eles a certeza de que a natureza deve ser cuidada e que permite
possibilidade de sustento.
“
Para sobreviver nós usamos o açaí, a gente vai lá apanha, amassa pra tomar
aquele açaí. O carvão, nós também somos obrigados a ir lá tirar uma fornada
para nós pode usar no fogão. Não também chegar e cortar, explorar né. Hoje
como nós estamos sendo acompanhados pelos técnicos, nos vamos lá, nós já sabe,
o açaizeiro, o pau, o palmito, a gente já sabe a árvore que a gente vai poder
cortar e nessa cortação a gente vai cortar a açaizeira que já não tá mais
utilizando pra nós. Isso já vem um técnico, a gente vai lá corta todo com ordem,
aquele palmito, a gente não vai também estragar, a gente corta e vai vender, vai
vender e compra outra coisa, compra a farinha
”. (RDF, entrevista cedida em
08 de fevereiro de 2012)
Os saberes tradicionais foram apropriados a partir do trato com a terra,
com as águas e com a mata. O uso da terra, as especificidades na extração de
frutas, na realização da caça ou efetivação da pesca foram construídos através
das falas e repetição de ações que se configuram como procedimentos a serem
imitados pelos mais novos, os aprendizes. RDF destaca as práticas de
aprendizagem ambiental feitas a partir da observação, manuseio e
internalização de saberes socializados na comunidade:
“
A gente vai na roça, vai tira ali uma parte do terreno, nós vai roça tudinho
bacana, aí quando secar tudinho o mato, então tem fazer no verão, no inverno
não presta, tem que ser no verão mesmo forte aí toca fogo. Depois que tocar fogo
bunitinho, os que queimou e os que não queimou nos vai coivará, coivará é
juntar todos os paus que ficar no terreno e depois que tiver tudo coivarado a
gente toca fogo nos galhos tudo e aí vamos pegar a maniva e cortar todinho em
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
pedacinho a maniva e cavar, em cada buraco nós coloca dois pedaços de maniva,
aí vai tapa aquele buraco, aí com um mês, dois meses tá nascendo. Aí quando
tiver grande nós arrebenta o talo, tiver grandinho assim, mais ou menos uns 60
cm de altura vai lá e capina todinho , não é só plantar e largar não. Isso daí nós
já sabe mesmo, não é so plantar e largar. Aí plantou e depois que tu plantar tem
que trazer todo aquele lixo pro tronco dela e aí com seis meses do toma na
capina, a mesma coisa
”. (RDF, entrevista cedida em 08 de fevereiro de
2012)
Segundo os moradores, as atividades socioeconômicas que são
desenvolvidas na comunidade contribuem para a preservação da natureza. Fica
evidente que o cuidado com a natureza tem relação com as práticas cotidianas
que envolvem o cultivo da roça, a pesca, o extrativismo do açaí, entre outras.
Antes da implantação do projeto de assentamento agroextrativista em
Igarapé Grande, que ocorreu no ano de 2005, a derrubada de árvores para a
fabricação de carvão na comunidade envolvia um número considerável de
famílias, mas o INCRA impôs como requisito necessário para a participação no
programa de Assentamento Familiar o fim das atividades de produção de
carvão. O encerramento da atividade de produção de carvão foi considerável,
mas gradativamente os moradores foram criando novas alternativas para
geração de renda, tais como o aumento do comércio do açaí.
A restrição da fabricação do carvão estabelecida pelo INCRA,
inicialmente foi acatada pelos moradores, pois era do interesse de todos a
inserção no Programa de Assentamento, o que representaria o recebimento de
uma nova residência de acordo com os padrões adotados pelo órgão, além de
recursos financeiros para o incentivo da produção agroextrativistas.
A concretização do Projeto de Assentamento foi seguida do
revigoramento tímido das atividades de carvão. Desta vez feita de em menor
quantidade, unificando o saber tradicional com os conhecimentos técnicos de
manejo da madeira. Para o RDF houve certo radicalismo do INCRA que não
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
considerou a história socioeconômica da localidade e que atualmente ainda se
tem a ideia de que os moradores das ilhas não podem usar aquilo que a
natureza oferece e que a natureza deve ser uma espécie de “natureza intocada”:
“
O carvão não influi na natureza agora sabiamente que nós tamos, os
professores que venham né, os técnicos, tudo aquilo que venham nos ajudar
porque o carvão é só pro uso, pro nosso uso, não é muita coisa que a gente usa
aqui, se a gente quiser a gente vai no mangual, a gente derruba lá a várzea corta
uma corticeira, nasce umas três, quatro. Lá a gente já vai sabendo como é pra
fazer aquele manejo [...]. Tem a corticeira que é uma árvore, ela é rápida pra
crescer. A gente vai corta a lenha com a maré seca e quando a maré encher pega
o casco, vai lá enche no casco e traz pro forno, aí enche o forno. Tá tudo cheio no
forno, toca fogo no forno, aí tem aquele ponto, o forno tá pegado, fechou a boca,
aí no outro dia vai, tá no ponto o forno, tapa o bulheiro e o suspiro do forno.
Tem que tapar todos os buracos e dando banho no forno. Não ele não é mais uma
ameaça
”. (RDF, entrevista cedida em 08 de fevereiro de 2012)
Após o preparo da “corticeira”
, feito através da limpeza realizada por
pequenos cortes, ela é depositada no forno para queima que dura em média de
doze a dezoito horas dependendo da quantidade de material a ser queimado.
Enquanto está sendo realizada a “fornada” ou queima da vegetação, o morador
realiza suas atividades diárias normalmente.
A fabricação de carvão envolve saberes ambientais que são socializados
por alguns moradores na comunidade. Antes de adentrar o mangue os
moradores observam a situação da maré, ou seja, verificam
se está “cheia” ou
“seca”, pois a retirada da vegetação deve ser feit
a quando a maré está baixa
permitindo a caminhada no mangue. Deve-se estar atendo aos possíveis
horários de “cheias” para que não percam o material recol
hido e depositado de
forma enfileirada pelo mangue.
Outro procedimento importante a ser executado no processo de
extração da madeira no mangue é o reconhecimento das melhores raízes para o
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
corte, pois os talhos ou cortes que são dados nas raízes devem ser precisos para
que não danifiquem a planta no sentido de dizimá-las, mas que seja
possibilitado seu crescimento novamente. Antes da maré subir as raízes que
foram espalhadas pelo mangue são recolhidas e depositadas na canoa ou rabeta
para transporte até a comunidade. Após a chegada o material é agasalhado
próximo ao forno para secagem e espera da queima.
Incoerências do Desenvolvimento não Sustentável no Assentamento
Agroextrativista.
Os resultados da pesquisa demonstraram que o assentamento ainda não
foi capaz de gerar renda a partir do modelo que foi pensado. Primeiramente,
porque as mudas de açaí que foram plantadas são recentes, ainda estão em fase
de crescimento, mas apresentam problemas de adaptação em decorrência de
terem sido plantadas nos terrenos dos assentados que são secos e argilosos e é
natural dessa espécie maior desenvolvimento em áreas de várzeas. Para o Sr.
Raimundo, problema similar aconteceu com as mudas de banana que, segundo
relatos dos moradores, a espécie enfrenta dificuldades de crescimento e
produção, “e
les trouxeram banana, mas não deu. Açaí? tem açaí plantado, mas não
produz. Coco,
como você está vendo os pés de coqueiro, mas não deu certo”. E mais,
“n
ão sei porque. A terra aqui é boa, mas o mangue é melhor pra plantar o açaí”
(Reginaldo Farias, entrevista cedida em 08 de fevereiro de 2012).
Os moradores identificaram vários problemas sociais e econômicos no
assentamento. É importante salientar que cada morador identificou mais de um
problema. Entre os mais abordados estão:
Saúde
: Citada seis vezes nos questionários, a ausência de médicos e as
dificuldades de prevenir e combater enfermidades, pois o deslocamento tem
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
que ser feito aos postos de saúde que se localizam nos bairros periféricos de
Ananindeua, especialmente nos bairros do Curuçambá e PAAR.
Água Potável
: Citada seis vezes como um dos principais problemas
vivenciados em Igarapé Grande. A água utilizada para consumo advém dos
poços amazônicos escavados nos quintais e na frente das residências. Apesar de
consumirem a água desde o surgimento da comunidade, ela acaba se tornando
imprópria para o consumo, pois visivelmente apresenta cor amarelada. Este
tipo de poço, também favorece a proliferação de mosquitos da dengue e microorganismos
nocivos à
saúde humana. Segundo Reginaldo farias: “antigamente
ninguém cuava a água nera pai, hoje em dia chega uma pessoa aqui e condena nossa
á
gua, mas nunca fez mal para nós” (Entrevista cedida em Igarapé Grande no dia
08 de fevereiro de 2012).
Mercado
: apontado seis vezes como uma necessidade que deveria ser
suprida na ilha para compra de produtos que pudessem complementar a
alimentação dos moradores, a ausência de um mercadinho acaba se tornando
um entrave para a melhoria da qualidade de vida dos moradores. A construção
de um mercadinho de pequeno porte que vendesse alimentos e produtos
diversos minimizaria as grandes distâncias que são percorridas via rio quando
os moradores se dirigem aos mercados de Ananindeua e Belém, além da
dificuldade de transporte de mercadorias.
Esgoto
: citado pelos moradores cinco vezes, a inexistência de redes de
esgoto traz insatisfação aos moradores. De modo geral, ainda predomina a ideia
entre os administradores públicos de que as comunidades ribeirinhas devem
ficar desprotegidas de redes de esgotos, energia elétrica, água encanada, entre
outros. A realização de redes de esgotos nos centros urbanos traz cidadania, da
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
mesma forma este processo poderia ser reproduzido, com peculiaridades, nas
áreas ribeirinhas.
É importante destacar que os sujeitos não fizeram referência à
ocorrência de práticas de violência na comunidade. O que induz ao
entendimento de que a distância em relação aos centros urbanos, a não
proliferação de assaltos, homicídios e tráfico de drogas, acabam por tornar a
localidade num espaço tranquilo em relações aos índices de violência das áreas
urbanas de Ananindeua.
Foi identificado que a agricultura é praticada por quatro moradores.
Contudo, o tipo de agricultura que desenvolvem é caracterizado pelo plantio de
mudas de árvores frutíferas que levará anos, aproximando-se de uma década
para produzirem. Entre os tipos frutíferos que são preferidos para o plantio
temos: o açaí, o cupuaçu, bacuri, a pupunha, o coco, a banana e o ingá. É
inexistente o cultivo de lavouras que contenham a chicória, o cheiro-verde, o
tomate, a pimenta, a couve, a cenoura, batata, ou seja, produtos de consumo
imediato ou a curto-prazo. Apenas um fez referência ao plantio da macaxeira
que produz mais rapidamente.
Os moradores reclamam da falta de assistência para comercializarem
suas produções. Neste caso, sugeriram a construção de boxes nas feiras do
município de Ananindeua com a produção originada da ilha. Um dos objetivos
do INCRA ao pensar o Projeto Agroextrativista era fomentar a agricultura
familiar e em parceria com a prefeitura de Ananindeua comercializar a
produção das ilhas nos mercados do município, mas na prática isso não vem
acontecendo.
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O rigor do tecnicismo inerente à implantação dos Projetos de
Assentamentos nas Ilhas de Ananindeua favoreceu a conjecturações de formas
de desenvolvimento considerados sustentáveis dissociados da realidade local.
Muito do que foi previsto no Projeto, tornou-se falho, especialmente quando é
analisado o incremento da produtividade agrícola e comercialização da
produção.
Em outro Projeto, na comunidade Nova Esperança, os moradores ainda
sonham com a construção de um grande tanque comunitário para a criação de
peixes. Nesta localidade a agricultura não prosperou. Esta realidade é em parte
justificada pelo fato dos moradores não possuírem conhecimentos de técnicas
de cultivo. A comunidade surgiu em 1991, decorrente de uma ocupação
realizada por moradores de origem urbana. Contudo, em Igarapé Grande, os
ilhéus possuem uma história ligada à terra, à mata e às águas. Saberes
ambientais e práticas educativas formadas a partir do meio físico, do meio
ambiente, são desenvolvidos ao longo das gerações.
A produtividade econômica no Projeto de Assentamento teria maior
sucesso se fossem potencializadas as formas locais e singulares de manejo do
açaí que são realizados tradicionalmente nas áreas de várzeas; o incremento à
produção do carvão de forma sustentável, o estímulo à criação de animais
(galinha e pato), a extração de frutas e conservação de polpas, especialmente as
de bacuri, açaí e cupuaçu e o fomento à pesca, pois os moradores são
portadores de técnicas ancestrais de extração do peixe e camarão.
Por fim, constatou-se que os planejamentos governamentais de
determinadas áreas na Amazônia, especialmente de Assentamento Rurais, não
possuem vínculo com os processos educativos e saberes ambientais das
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
populações tradicionais. As políticas públicas tem se tornado estéril. Tudo
acontece em nome do racionalismo econômico capitalista. Há uma
desconsideração da educação local, uma das bases da construção de uma
sociedade mais justa.
Referências Bibliográficas:
CERTEAU, Michel de (2011). A invenção do cotidiano, artes de fazer. 17ª Ed.
Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes
.
DELEUZE, Guilles. GUATTARI, Félix (1995).
Mil Platôs: capitalismo e
esquizofrenia
. São Paulo. Vol. 1 Editora. 34.
___________ (1997).
Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia São Paulo. Vol. 5.
Editora34.
FERNANDES, Marconila (2006)..
Desenvolvimento Sustentável: antinomias de um
conceito
. In: FERNANDES, Marconila. GUERRA, Lemuel(Org.). Contra Discurso
do Desenvolvimento Sustentável
. 2ª Ed.- Belém: Associação de Universidades
Amazônicas, Universidade Federal do Pará. Núcleo de Altos Estudos
Amazônicos.
FREIRE, Paulo (1993).
Educação como prática da liberdade. 23. ed. Rio de Janeiro,
Paz e Terra.
_______(1983).
Pedagogia da esperança. Rio de Janeiro, Paz e Terra,.
HAESBAERT, Rogério (2011). O mito da desterritorialização. São Paulo:
Contexto.
LEFF, Enrique (2009).
Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade,
poder.
7ª Ed. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes.
PERPETUO, Francisco (2011). ANAIS SINGA.
OLIVEIRA, Ivanilde (Org.) , (2008). Cartografias Ribeirinhas: saberes e
representações sobre práticas sociais cotidianas de alfabetizandos amazonidas.
2ª ed. Belém: EDUEPA.
SAQUET, Marcos Aurélio, SOUZA, Edson Belo Clemente (org.), (2009).
Leituras do Conceito de Território e dos Processos Espaciais. 1ª Ed. São Paulo:
Expressão Popular.
SANTOS, Milton (1997). Técnica-Espaço-Tempo: globalização e meio técnicocientífico
informacional. 3ª Ed. São Paulo: HUCITEC.
SOUZA, Marcelo J. Lopes de (2011).. O Território: sobre e espaço e poder,
autonomia e desenvolvimento. In: CASTRO, Iná Elias e CORRÊA, Roberto
Revista VITAS
– Visões Transdisciplinares sobre Ambiente e Sociedade – www.uff.br/revistavitas
ISSN 2238-1627
, Nº 3, junho de 2012
Lobato(org).Geografia: conceitos e Temas. 3ª Ed.
– Rio de Janeiro, BertrandBrasil.
Assinar:
Postagens (Atom)